
Ando sem relógio e não marco o tempo,
Mas ele passa e me deixa marcas.
Cada rio da palma da minha mão vai se acentuando
E descreve assim a correnteza do meu destino.
E das minhas estranhas entranhas,
Um estridente despertador, anuncia a cada mês
O filho que ainda não chegou
E o mar que nunca me banhou.
É muito breve, cruéis ponteiros, estranguladores de horas
Poderiam ser quebrados,
Mas sinfonicamente as ondas continuam à quebrar
E alguém curiosamente à me rondar
Esperando, talvez, que eu espaço dê
Para a vida acontecer...



